Medicinas Alternativas

Dr. Fernando Diniz Baptista

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre medicinas alternativas ou terapias complementares. No entanto, poucos são aqueles que sabem o que significam estes termos e em que medida essas terapias contribuem para uma melhoria do estado de saúde daqueles que as procuram.

Medicinas AlternativasA medicina convencional tem sido até há poucos anos praticamente, de forma geral, a primeira – se não a única – opção para as populações, sobretudo ocidentais.

Portugal não é excepção. Contudo, tem-se verificado que na última década, a procura de medicinas não convencionais por parte dos cidadãos tem-se intensificado. Infelizmente, o respeito e reconhecimento concedidos a estas terapêuticas são ainda limitados, pelo facto de haver pouca clarificação não só nos procedimentos, mas também na acreditação dos profissionais que as praticam.

Medicinas Alternativas VS Terapêuticas Complementares

Em todo o mundo praticam-se vários tipos de terapias alternativas, criando confusão nas várias nomenclaturas existentes; «alternativa», «complementar» e «não convencional».

A Ordem dos Médicos da Grã-Bretanha, num relatório sobre terapias complementares, sugeria as seguintes definições: “outros sistemas de tratamento não muito usados pelos médicos convencionais” e “sendo os termos complementar, não convencional, natural, alternativa ou, não ortodoxa, usados de forma geral com o mesmo significado”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere uma definição de forma abstracta para as medicinas alternativas: “as medicinas não convencionais abrangem todas as terapias que não são utilizadas pela medicina convencional”

A diferença entre os termos «alternativa» e «complementar» é simples. Se um clínico de medicina convencional ou não convencional utilizar exclusivamente terapias alternativas, ele está a proceder a terapêutica «alternativa» em detrimento da ortodoxa ou convencional.

Se por outro lado, o paciente estiver a ser normalmente seguido pelo seu médico convencional, por exemplo num problema músculo-esquelético, estando a tomar medicamentos prescritos pelo mesmo, mas recorrendo a um clínico osteopata, que trata problemas dos componentes mecânicos músculo-esqueléticos, o doente recorreu a uma terapia «complementar» à convencional.

Portugueses cada vez mais “alternativos”

Em todo o mundo, tem havido um aumento da popularidade das medicinas alternativas, desde o Japão aos Estados Unidos da América, passando pelo norte da Europa até à Africa do Sul, Oceânia e América do Sul.

Em Portugal, a procura por parte dos cidadãos de terapias naturais intensificou-se nos últimos dez anos, levando o estado português a ponderar na elaboração de uma lei que enquadrasse as actividades das medicinas alternativas, bem como do exercício dos seus profissionais. A Lei nº 45/2003, de 22 de Agosto, faz o enquadramento base das terapêuticas não convencionais, estabelecendo as terapêuticas reconhecidas, bem como da acreditação dos seus profissionais.

A referida lei reconheceu como terapêuticas a Acupunctura, Osteopatia, Homeopatia, Naturopatia, Fitoterapia e Quiropráxia e considerou que estas terapêuticas partem de base filosófica diferente da medicina convencional aplicando processos específicos de diagnóstico e terapêuticas próprias. É ainda reconhecida autonomia técnica e deontológica aos profissionais que as praticam, sendo o Ministério da Saúde o organismo que tutela e efectua a credenciação profissional.

Ameaça à medicina tradicional?

De dia para dia, há mais pessoas a recorrer a diferentes terapêuticas não convencionais. Descrença na medicina convencional? Estamos em crer que não. Existe sim, uma maior consciencialização sobre o papel importante que as terapêuticas não convencionais têm vindo a desempenhar na resolução de várias patologias.

A tendência nos últimos anos tem sido a de uma maior responsabilidade assumida pelas pessoas, em relação à sua própria saúde. Actualmente, a procura por terapêuticas não convencionais está também relacionada com o medo dos efeitos secundários prejudiciais de alguns medicamentos prescritos, levando as pessoas a procurar terapias alternativas ou complementares sempre que possível.

Destaque:
Se necessitar de recorrer a uma terapêutica não convencional deve procurar um profissional devidamente qualificado. Só assim estará a contribuir para uma melhor defesa da sua saúde

Escolha a terapêutica adequada!

Acupunctura

Ramo da medicina tradicional chinesa, que utiliza a introdução de agulhas muito finas, com a finalidade terapêutica de reequilibrar o fluxo energético do organismo ou para induzir um efeito analgésico.

Osteopatia

Sistema de diagnóstico e tratamento, cuja utilização principal é nas situações que afectam o sistema músculo-esquelético. Utiliza principalmente métodos de tratamento à base de manipulações suaves, para restabelecer e manter as funções biomecânicas corporais.

Homeopatia

Tratamento por administração de substâncias naturais, de forma doseada e altamente diluídas, que numa pessoa normal, quando não diluídas, provocam sintomas semelhantes aos daqueles que se pretendem tratar.

Quiropráxia

O mesmo que quiropráctica, método de tratamento que, enfatiza as disfunções vertebrais como causa primordial, para o aparecimento de várias patologias. Utiliza métodos de tratamento idênticos aos da Osteopatia.

Naturopatia

Terapêutica baseada no principio da auto-regeneração corporal. Através da avaliação do estado global do organismo, utiliza a prescrição de dietas, suplementos dietéticos, exercícios físicos e outras terapias, promovendo e estimulando as defesas naturais do corpo humano.

Fitoterapia

Sistema terapêutico em que as plantas medicinais ou suas partes, são utilizadas com a finalidade de restaurar as funções do corpo humano e tratar os seus sintomas.

 

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